Mais um golpe contra o tabaco

A ANS aprovou regulamentação que proíbe adição de aromas aos cigarros. Mais de 20% dos cigarros comercializados no Brasil têm esse apelo, o que atrai jovens para este terrível vício.
Daqui uma ou duas gerações nós poderemos ver os efeitos benéficos destas medidas e nos orgulhar de ter participado deste processo.

CNE reabre vagas insatisfatórias de cursos de Medicina

Contariando determinações da Comissão de Especialistas do Ensino Médico, após 2 anos de estudo encabeçados pelo Dr. Adib Jatene, o Conselho nacional de Ensino reabriu vagas de cursos médicos considerados insatisfatórios.
Se já não bastasse nossa incapacidade de lutar por honorários dignos frente às operadoras e cooperativas, agora estamos vendidos também à indústria mercenária do ensino.
Qual será o fim de nossa profissão?

Alexandre Garcia de Lima
Cirurgia Torácica.

Profilaxia de TVP e TEP em paciente ambulatorial recebendo quimioterapia.

Apesar de aceito o uso de heparina de baixo peso molecular para pacientes que internam para submeter-se à cirurgia oncológica, o uso da mesma em pacientes ambulatoriais recebendo quimio ainda é controverso. Neste estudo com mais de 3000 pacientes, parece haver benefício. Nota-se que a neoplasia mais prevalente no estudo foi a de pulmão.

“Semuloparin for thromboprophylaxis in patients receiving chemotherapy for cancer”, NEJM, 16 de fevereiro de 2012.

Cuidados paliativos precoces em câncer avançado de pulmão

Trabalho prospectivo do Massachussets General Hospital publicado no New England mostrou benefícios em qualidade de vida e sobrevida para pacientes recebendo tratamento paliativo precoce no momento do diagnóstico de neoplasia avançada de pulmão.

http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1000678

Devemos discutir abertamente com nossos pacientes, visto que a maioria se encontra nessa situação no momento do diagnóstico, esta possibilidade e seus benefícios, e não somente nos estágios de alta dependência.

Leia o texto na íntegra ou me mande um e-mail que posso lhe enviar o arquivo.

Grande abraço a todos.

Alexandre Garcia de Lima

Cirurgia Torácica e Broncoscopia.

2010 – O Ano do pulmão

Caros colegas.

2010 está sendo considerado o ano do pulmão, e o Brasil e a SBPT estão apoiando esta iniciativa mundial.

Há dois sites onde podemos ter acesso às informações sobre a campanha – www.yearofthelung.org e www.sbpt.org.br

As iniciativas são múltiplas e devemos fazer nossa parte como especialistas, para que possamos ser reconhecidos como uma especialidade importante e imprescindível para o bem estar da população.

Grande abraço.

Dr. Alexandre Garcia

Cirurgia Torácica e Broncoscopia.

19 96055448/21173300

O estagio IIIA N2 do câncer de pulmão. Ainda há dúvidas?

Alguns trabalhos de fase II publicados nos últimos anos, inclusive guidelines das sociedades de medicina respiratória pelo mundo todo, têm chamado a atenção para os pacientes em estagio clínico/patológico IIIA devido à presença de linfonodos mediastinais ipsilaterais acometidos (N2).

O papel da cirurgia de ressecção pulmonar isolada para os pacientes sabidamente N2 no pré-operatório já foi praticamente abolido no mundo, e o melhor tratamento parecia ser a indução com quimioterapia ou quimio-radioterapia, seguida de cirurgia naqueles pacientes com boa resposta (down-stage).

Um trabalho publicado em agosto passado no Lancet parece comprovar isso (http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(09)60737-6/fulltext).

Esse é um estudo fase III onde não se mostrou benefício da cirurgia após quimio e radioterapia de indução com relação à sobrevida geral ou sobrevida livre de doença, no entanto com mais pacientes livres de doença em 5 anos no grupo com cirurgia, apesar da alta mortalidade no grupo cirúrgico.

Algumas críticas no entanto podem ser feitas à esse estudo: os pacientes não foram estratificados como bons respondedores ou não à terapia de indução, o que sabemos que influencia na resposta à cirurgia; houve um alto índice de pneumonectomias, o que afeta negativamente a sobrevida, tanto no pós-operatório imediato (até 30 dias) como em longo prazo.

No entanto é mais uma questão que devemos ter em mente: paciente com câncer de pulmão com N2 sabidamente positivo é considerado paciente com doença sistêmica, e um tratamento que visa à cura somente local não terá nenhum sentido. É necessário o estagiamento linfonodal mediastinal correto, de modo minimamente invasivo ou invasivo, nos casos suspeito. A terapia de indução faz-se mister nesses casos.

Podemos ainda, no entanto, evoluir muito na cura desses doentes, selecionando melhor aqueles que terão benefício com a cirurgia e mesmo com esquema alternativos de indução, baseados na expressão gênica e proteica dos tumores.

Até logo.

Dr. Alexandre Garcia

Cirurgia Torácica e Broncoscopia.

alexandre.garcia@toracica.com.br

Fones: 19 21173300 e 19 96055448.

Qual é realmente a diferença entre IIIA-N2 e o IIIB-N3 de pulmão?

Clinicamente parece que nenhuma?

Porque a sobrevida iria se alterar apenas pelo fato da posição de um linfonodo estar aquém ou além da linha média do corpo? Esse tipo de divisão anatômica não parece ser razoável ou ter correlação com a clínica, haja visto os inúmeros mapas de drenagem mediastinal lobo-específico que existem na literatura.

O problema realmente parece estar na presença ou não de linfonodos mediastinais, e não sua lateralidade.

Precisamos encarar o N2 como doença sistêmica e tratá-lo desta forma.

Um estudo publicado no LANCET-Oncology mostrou sobrevida semelhante entre os N2-IIIA e casos selecionados de N3/T4-IIIB quando utilizando a quimio+radioterapia neoadjuvantes seguida de cirurgia (http://www.thelancet.com/journals/lanonc/article/PIIS1470-2045(09)70172-X/fulltext).

A questão não é transformar todos os N2 em não operatórios, mas tratá-los adequadamente, com terapia de indução seguida de cirurgia nos casos com boa resposta (down-stage).

Desta forma não estaremos indicando cirurgias fúteis e poderemos até ampliar o escopo da indicação cirúrgica para casos selecionados de N3 ou T4, com sobrevida semelhante aos IIIA-N2, como clinicamente e não anatomicamente seria óbvio de se imaginar.

Abraço a todos

Dr. Alexandre Garcia

Cirurgia Torácica e Broncoscopia

alexandre.garcia@toracica.com.br

Contato: 19 96055448 ou 19 21173300

Devemos operar mais nódulos?

A subdivisão do antigo T1  dos NSCLC em T1a (até 2 cm) e em T1b (de 2 a 3 cm) na sétima edição do TNM foi estabelecida por diferenças na sobrevida pós-cirúrgica, independente do tipo histológico.

Um artigo do CHEST corrobora essa informação, apesar de ser um artigo retrospectivo, com parte dos pacientes fazendo estagiamento mediatinal invasivo e parte não.

http://chestjournal.chestpubs.org/content/136/3/710.full.html

Mas o mais importante talvez seja discutirmos aqui a conduta do seguimento radiológico dos nódulos pulmonares.

No TNM antigo tínhamos muita segurança em saber que seguindo um nódulo de 1,5 cm de diâmetro e notássemos um aumento para 2,2 cm teríamos a mesma sobrevida, o que hoje em dia parece não ser mais verdade.

Então será que não devemos indicar mais abertamente as ressecções pulmonares desses nódulos, ainda mais com o uso da videotoracoscopia, onde alguns pacientes sequer necessitam de drenagem no pós-operatório?

Grande abraço a todos.

Dr. Alexandre Garcia

Cirurgia Torácica e Broncoscopia.

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